domingo, 11 de agosto de 2024

Os 72 anjos e os signos


A Cabala é uma tradição mística judaica que existe a milênios, com o Sefer Yetzirah sendo um dos textos fundacionais, datando entre 100 e 900 EC. Este texto estabelece as bases para a astrologia cabalística ao correlacionar os planetas visíveis e os Sephirot da Árvore da Vida com aspectos da existência divina e cósmica.


A astrologia cabalística, uma prática que integra conceitos místicos com astrologia, começou a se desenvolver de forma mais estruturada a partir de Abraão, o Patriarca, que escreveu o Sefer Yetzirah há cerca de 3800 anos. Esse texto é considerado um dos primeiros a explorar a relação entre os corpos celestes e a alma humana, sugerindo que o posicionamento dos planetas poderia ser um guia para o crescimento espiritual e a correção de falhas de vidas passadas.


OS PLANETAS E A ÁRVORE DA VIDA 

A relação entre os sete planetas visíveis a olho nu (Sol, Lua, Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno) e as dez Sefirot da Cabala Judaica é um tema de estudo esotérico que liga astrologia e misticismo. 


História e Conceito:

As Sefirot são os dez atributos ou emanações através das quais o Ein Sof (o Infinito) se manifesta no mundo. Elas são frequentemente representadas na Árvore da Vida, um diagrama que serve como mapa simbólico dos processos espirituais.


Correspondências Tradicionais:

Você já parou para pensar como a astrologia cabalística era feita na época antiga? Na tradição original, ela trabalhava com os sete astros visíveis a olho nu: Sol, Lua, Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno. Isso porque, naquela época, eram os únicos conhecidos pelos antigos sábios. E o que significa "cabala"? Quer dizer "receber" ou "tradição". Ou seja, a astrologia cabalística é sobre manter viva a tradição. Não é incrível?


Agora, com o avanço da ciência, planetas como Urano, Netuno e Plutão foram descobertos (em 1781, 1846 e 1930, respectivamente), e muitas correntes começaram a incluí-los. Mas a verdade é que, se estamos falando de cabala, estamos falando de fidelidade à tradição, certo? E a tradição usa os sete astros visíveis. Isso tem fundamento porque a cabala conecta cada astro a uma sefirá da Árvore da Vida, e os sete são suficientes para esse sistema simbólico.

A correspondência entre os planetas e as Sefirot não é sempre uniformemente aceita, mas uma correspondência tradicional é a seguinte:


Keter (Coroa): Representa a vontade divina e a fonte da criação. Não é associada a um planeta específico, pois está além das manifestações físicas.


Chokmah (Sabedoria): Associada com o Zodíaco ou o céu estrelado em sua totalidade.


Binah (Entendimento): Associada a Saturno, que representa limites e estrutura.


Chesed (Bondade): Associada a Júpiter, simbolizando a expansão e a misericórdia.


Gevurah (Força): Associada a Marte, representando a força, disciplina e julgamento.


Tiferet (Beleza): Associada ao Sol, que é o centro do sistema e representa harmonia e beleza.


Netzach (Eternidade): Associada a Vênus, simbolizando o desejo e a natureza estética.


Hod (Glória): Associada a Mercúrio, representando a comunicação e o intelecto.


Yesod (Fundamento): Associada à Lua, simbolizando o reflexo e a conexão com o mundo material.


Malkuth (Reino): Representa o mundo físico e não é diretamente associada a um planeta, mas às energias manifestadas no mundo material.


Fontes Históricas:

A relação entre as Sefirot e os planetas é desenvolvida em textos cabalísticos como o "Sefer Yetzirah" (Livro da Formação) e "Zohar" (Livro do Esplendor), além de tratados de astrologia esotérica que surgiram durante o Renascimento. Autores como Cornelius Agrippa, no seu trabalho "Três Livros de Filosofia Oculta," também exploraram essas correspondências.


Importância:

Essa correspondência é usada tanto para meditação quanto para rituais esotéricos, e é considerada uma forma de compreender as forças espirituais que influenciam o universo e o ser humano.


Essa integração entre astrologia e Cabala mostra uma tradição esotérica rica e complexa, onde símbolos e arquétipos são utilizados para entender a realidade espiritual e material.


Uma característica particular da astrologia cabalística é a associação dos signos do zodíaco com os anjos cabalísticos. Esta prática específica, que foi formalizada por cabalistas ao longo dos séculos, associa cada signo com um anjo que rege períodos de cinco dias ao longo do ano. Esse sistema visa orientar as pessoas em suas jornadas espirituais e ajudá-las a entender melhor os desafios e oportunidades em suas vidas.


Embora a prática de associar signos zodiacais com anjos não seja amplamente conhecida ou utilizada fora dos círculos cabalísticos, ela tem uma função significativa. É usada para introspecção espiritual e crescimento pessoal, permitindo que os praticantes alinhem suas ações com seus propósitos espirituais e o fluxo cósmico. Além disso, oferece uma perspectiva única para aqueles interessados em explorar a interconexão entre as energias celestiais e o desenvolvimento pessoal.


Para aqueles interessados em aprofundar esse conhecimento, muitas fontes e instituições oferecem leituras de mapas astrológicos cabalísticos, proporcionando uma visão personalizada sobre a jornada espiritual e as influências cósmicas individuais.


Para relacionar os graus do zodíaco com os 72 anjos da Cabala, cada anjo rege 5 graus do zodíaco. Vamos distribuir os anjos começando do 0° de Áries até o 30° de Peixes.


Áries (0° - 30°)

1. Vehuiah: 0° - 4° (21 a 25 de março)

2. Jeliel: 5° - 9° (26 a 30 de março)

3. Sitael: 10° - 14° (31 de março a 4 de abril)

4. Elemiah: 15° - 19° (5 a 9 de abril)

5. Mahasiah: 20° - 24° (10 a 14 de abril)

6. Lelahel: 25° - 29° (15 a 19 de abril)


Touro (30° - 60°)

7. Achaiah: 30° - 34° (20 a 24 de abril)

8. Cahetel: 35° - 39° (25 a 29 de abril)

9. Haziel: 40° - 44° (30 de abril a 4 de maio)

10. Aladiah: 45° - 49° (5 a 9 de maio)

11. Lauviah: 50° - 54° (10 a 14 de maio)

12. Hahaiah: 55° - 59° (15 a 19 de maio)


Gêmeos (60° - 90°)

13. Iezalel: 60° - 64° (20 a 24 de maio)

14. Mebahel: 65° - 69° (25 a 29 de maio)

15. Hariel: 70° - 74° (30 de maio a 3 de junho)

16. Hakamiah: 75° - 79° (4 a 8 de junho)

17. Lauviah: 80° - 84° (9 a 13 de junho)

18. Caliel: 85° - 89° (14 a 18 de junho)


Câncer (90° - 120°)

19. Leuviah: 90° - 94° (19 a 23 de junho)

20. Pahaliah: 95° - 99° (24 a 28 de junho)

21. Nelchael: 100° - 104° (29 de junho a 3 de julho)

22. Ieiaiel: 105° - 109° (4 a 8 de julho)

23. Melahel: 110° - 114° (9 a 13 de julho)

24. Haheuiah: 115° - 119° (14 a 18 de julho)


Leão (120° - 150°)

25. Nith-Haiah: 120° - 124° (19 a 23 de julho)

26. Haaiah: 125° - 129° (24 a 28 de julho)

27. Ierathel: 130° - 134° (29 de julho a 2 de agosto)

28. Seheiah: 135° - 139° (3 a 7 de agosto)

29. Reiiel: 140° - 144° (8 a 12 de agosto)

30. Omael: 145° - 149° (13 a 17 de agosto)


Virgem (150° - 180°)

31. Lecabel: 150° - 154° (18 a 22 de agosto)

32. Vasariah: 155° - 159° (23 a 27 de agosto)

33. Yehuiah: 160° - 164° (28 de agosto a 1 de setembro)

34. Lehahiah: 165° - 169° (2 a 6 de setembro)

35. Chavakiah: 170° - 174° (7 a 11 de setembro)

36. Menadel: 175° - 179° (12 a 16 de setembro)


Libra (180° - 210°)

37. Aniel: 180° - 184° (17 a 21 de setembro)

38. Haamiah: 185° - 189° (22 a 26 de setembro)

39. Rehael: 190° - 194° (27 de setembro a 1 de outubro)

40. Ieiazel: 195° - 199° (2 a 6 de outubro)

41. Hahahel: 200° - 204° (7 a 11 de outubro)

42. Mikael: 205° - 209° (12 a 16 de outubro)


Escorpião (210° - 240°)

43. Veuliah: 210° - 214° (17 a 21 de outubro)

44. Yelaiah: 215° - 219° (22 a 26 de outubro)

45. Sealiah: 220° - 224° (27 a 31 de outubro)

46. Ariel: 225° - 229° (1 a 5 de novembro)

47. Asaliah: 230° - 234° (6 a 10 de novembro)

48. Mihael: 235° - 239° (11 a 15 de novembro)


Sagitário (240° - 270°)

49. Vehuel: 240° - 244° (16 a 20 de novembro)

50. Daniel: 245° - 249° (21 a 25 de novembro)

51. Hahasiah: 250° - 254° (26 a 30 de novembro)

52. Imamiah: 255° - 259° (1 a 5 de dezembro)

53. Nanael: 260° - 264° (6 a 10 de dezembro)

54. Nithael: 265° - 269° (11 a 15 de dezembro)


Capricórnio (270° - 300°)

55. Mebahiah: 270° - 274° (16 a 20 de dezembro)

56. Poiel: 275° - 279° (21 a 25 de dezembro)

57. Nemamiah: 280° - 284° (26 a 30 de dezembro)

58. Yeialel: 285° - 289° (31 de dezembro a 4 de janeiro)

59. Harahel: 290° - 294° (5 a 9 de janeiro)

60. Mitzrael: 295° - 299° (10 a 14 de janeiro)


Aquário (300° - 330°)

61. Umabel: 300° - 304° (15 a 19 de janeiro)

62. Iah-Hel: 305° - 309° (20 a 24 de janeiro)

63. Anauel: 310° - 314° (25 a 29 de janeiro)

64. Mehiel: 315° - 319° (30 de janeiro a 3 de fevereiro)

65. Damabiah: 320° - 324° (4 a 8 de fevereiro)

66. Manakel: 325° - 329° (9 a 13 de fevereiro)


Peixes (330° - 360°)

67. Eyael: 330° - 334° (14 a 18 de fevereiro)

68. Habuhiah: 335° - 339° (19 a 23 de fevereiro)

69. Rochel: 340° - 344° (24 a 28 de fevereiro)

70. Jabamiah: 345° - 349° (1 a 5 de março)

71. Haiaiel: 350° - 354° (6 a 10 de março)

72. Mumiah: 355° - 359° (11 a 15 de março)


Embora não existam "registros históricos" no sentido de documentos concretos que datem a atribuição dos 5 dias por anjo, o sistema é um desenvolvimento posterior da tradição cabalística. Ele reflete uma tentativa de integrar práticas espirituais ao ciclo natural do ano, usando os anjos como mediadores das energias divinas.


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